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Sintaxe ​

Matéria: Língua Portuguesa
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Estrutura antes da regra ​

Sintaxe estuda as relações entre palavras e orações. Em período longo, localize os verbos; depois identifique quem concorda com eles, quais termos completam seu sentido e quais acrescentam circunstância ou característica.

Em “Os novos procedimentos reduziram significativamente o tempo de atendimento”, os novos procedimentos é sujeito, reduziram é transitivo direto, o tempo de atendimento é objeto e significativamente é adjunto adverbial. A ordem pode mudar sem alterar funções.

Sujeito e predicado ​

Sujeito simples tem um núcleo; composto, mais de um; oculto é recuperado: “revisamos” = nós. O indeterminado aparece em “disseram que haverá mudanças” ou “precisa-se de técnicos”.

Verbos impessoais não têm sujeito. Haver com sentido de existir e fazer indicando tempo ficam no singular: “houve falhas”, “deve haver soluções”, “faz dois anos”. Existir é pessoal: “existem falhas”.

No predicado verbal, o núcleo é verbo significativo; no nominal, predicativo ligado por verbo de ligação: “o processo permanece lento”. O verbo-nominal une ação e estado: “os servidores saíram satisfeitos”. Em “a comissão considerou o plano inviável”, inviável é predicativo do objeto.

Complementos ​

Um verbo é intransitivo quando seu sentido se completa sem objeto. Em “o prazo expirou”, outras expressões podem acrescentar circunstâncias — “ontem”, “durante a análise” —, mas não são exigidas pelo verbo para completar sua significação.

O verbo transitivo direto seleciona objeto sem preposição obrigatória: “a equipe elaborou o relatório”. O transitivo indireto exige uma preposição determinada por sua regência: “a equipe necessita de recursos”. Quando o verbo pede simultaneamente um objeto direto e outro indireto, é chamado bitransitivo, como em “o gerente informou a decisão aos empregados”.

Essa classificação pertence ao emprego concreto, não permanentemente ao vocábulo. “Assistir ao treinamento” significa presenciá-lo e, na norma-padrão, exige a preposição a. Em “o médico assistiu o paciente”, o verbo significa prestar assistência e admite objeto direto. Alterar o sentido pode, portanto, alterar a regência e a estrutura sintática.

Complemento nominal completa substantivo, adjetivo ou advérbio: “necessidade de recursos”, “favorável ao projeto”. Adjunto adnominal determina substantivo. “Crítica do gerente” tende a indicar autor; “crítica ao gerente”, alvo. Agente da passiva pratica a ação: “aprovado pela diretoria”.

Adjunto adverbial expressa circunstância. Aposto explica, resume, enumera ou especifica; vocativo chama o interlocutor e não pertence ao sujeito nem ao predicado.

Concordância ​

O verbo concorda com o núcleo do sujeito, não com o termo mais próximo: “A análise dos contratos demorou”. Sujeito composto anteposto pede plural: “custos e prazos aumentaram”. Expressões partitivas admitem variação: “a maioria compareceu/compareceram”.

Com se apassivador, concorda-se com o sujeito paciente: “publicaram-se as normas”. Com índice de indeterminação, usa-se singular: “necessita-se de normas claras”. Na concordância nominal: “seguem anexos os documentos”; mas “seguem em anexo”. “É proibida a entrada” tem artigo e concordância; “é proibido entrada” apresenta sentido genérico.

Casos de concordância exigem localizar o núcleo real. Com porcentagem acompanhada de especificador, a concordância pode seguir o número ou o termo: “1% dos empregados faltou/faltaram”; sem especificador, prevalece o número. Mais de um normalmente mantém o singular, salvo reciprocidade ou repetição. Em “um dos que participaram”, o relativo que retoma o plural, por isso participaram.

Regência e crase ​

Regência é a seleção de complemento e preposição: obedecer a, necessitar de, informar algo a alguém, preferir uma coisa a outra. O sentido pode mudar: aspirar o ar é sorver; aspirar ao cargo, desejar.

O acento grave marca a crase da preposição a com o artigo a/as ou com o a inicial de aquele, aquela, aquilo. Em “referiu-se à norma”, há referir-se a e a norma; em “referiu-se àquele regulamento”, há preposição e demonstrativo, sem artigo feminino. O teste de trocar “norma” por “regulamento” e obter “ao regulamento” ajuda no primeiro caso, mas não explica todos os usos.

Não há artigo feminino antes de verbo ou pronome pessoal: “começou a revisar”, “entregou a ela”. Antes de substantivo masculino, em regra, não ocorre crase; pode ocorrer quando há expressão feminina subentendida, como “escrita à Camões”, isto é, à maneira de Camões. Também aparece em locuções como à medida que, às vezes e à disposição. Veja os casos no Manual de Comunicação do Senado.

Em lugares: “vou à Bahia, volto da Bahia”; “vou a Brasília, volto de Brasília”. Antes de possessivo ou nome feminino, o uso do artigo pode ser facultativo, tornando a crase facultativa quando existe regência.

Na regência nominal, substantivos e adjetivos também selecionam preposição: “respeito às normas”, “favorável à mudança”, “compatível com o plano”. A crase depende simultaneamente dessa exigência e da admissão do artigo feminino. Trocar o termo por masculino e obter ao é um teste útil, mas o sentido e a estrutura continuam sendo decisivos.

Orações ​

Coordenadas são independentes e podem ser aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas. Subordinadas exercem função. As substantivas equivalem a substantivo: “é necessário que o plano seja revisto” funciona como sujeito. Adjetivas caracterizam antecedente: “os contratos que venceram serão renovados”. Sem vírgulas restringem; com vírgulas explicam o conjunto já identificado.

Adverbiais exprimem causa, consequência, condição, concessão, finalidade, tempo, proporção, comparação ou conformidade. A conjunção é pista, não resposta automática.

Coordenação e subordinação descrevem relações sintáticas, não a importância da informação. Em “o prazo terminou, mas a entrega continuou”, as orações são coordenadas e a segunda contrasta com a primeira. Em “embora o prazo tivesse terminado, a entrega continuou”, a oração concessiva depende da principal. A troca preserva a oposição geral, mas altera estrutura, foco e forma verbal.

A análise eficaz vai do núcleo às bordas. Sujeito, verbo e complementos resolvem concordância e regência; limites de orações explicam pontuação; relações semânticas permitem avaliar reescritas.