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Risco, retorno e custo de capital
Matéria: Finanças, Orçamento e Contabilidade
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Retorno e dispersão
Retorno de um ativo inclui renda e variação de preço. Retorno esperado é média ponderada pelos cenários: E(R)=Σp_iR_i. Variância e desvio-padrão medem dispersão, não todas as dimensões de risco. Distribuições assimétricas e perdas extremas pedem outras medidas.
Carteiras e diversificação
Retorno esperado da carteira é média ponderada dos ativos. Risco depende também de covariâncias: ativos que não se movem juntos podem reduzir volatilidade. Diversificação elimina parte do risco específico, não o risco sistemático comum ao mercado.
Correlação +1 não oferece redução; menor correlação melhora combinação. Diversificar por quantidade sem examinar exposições comuns pode manter concentração oculta.
Capital Asset Pricing Model (CAPM)
CAPM estima retorno requerido do patrimônio: k_e=R_f+β(R_m−R_f). Beta mede sensibilidade ao mercado: β>1 indica maior variação sistemática, não “risco total”. Prêmio de mercado remunera exposição não diversificável.
Premissas do CAPM são fortes; seu uso exige coerência de moeda, horizonte, taxa livre de risco e beta comparável. Em empresas fechadas, beta pode ser obtido de pares, desalavancado e realavancado.
Custo da dívida e Weighted Average Cost of Capital (WACC)
Custo da dívida é taxa exigida por credores ajustada ao risco. Como juros podem ser dedutíveis, custo após impostos é k_d(1−t), quando o benefício é utilizável.
O custo médio ponderado de capital (WACC) é E/(D+E) × k_e + D/(D+E) × k_d × (1−t). E e D representam os valores de mercado do capital próprio e da dívida; k_e e k_d, os respectivos custos; e t, a alíquota aplicável ao benefício fiscal utilizável. Os pesos devem ser coerentes com a estrutura de financiamento adotada.
Em um exemplo didático com 60% de capital próprio a 15% ao ano, 40% de dívida a 10% ao ano e benefício fiscal integral a uma alíquota hipotética de 25%, WACC = 0,60 × 15% + 0,40 × 10% × 0,75 = 12% ao ano. A taxa é apropriada para fluxo de caixa livre para todos os financiadores, com risco compatível; não deve ser aplicada automaticamente a fluxo exclusivo do acionista ou a projeto de risco diferente.
Estrutura de capital
Dívida oferece benefício fiscal e disciplina, mas aumenta obrigação fixa, risco de insolvência e custos de dificuldade. Patrimônio absorve variação, porém exige retorno maior e pode diluir controle. Não existe dívida grátis só porque sua taxa é menor: alavancagem aumenta risco do acionista.
Alavancagem operacional e financeira
A alavancagem operacional decorre de custos operacionais fixos: uma mudança no volume de vendas pode produzir variação proporcionalmente maior no lucro operacional. No modelo linear de custo-volume-lucro, GAO = margem de contribuição/lucro operacional. Com margem de contribuição de R$ 80 mil e lucro operacional de R$ 40 mil, GAO = 2: aumento de 10% nas vendas implica aumento de 20% no lucro operacional, mantidos preço, custo variável unitário e custos fixos.
A alavancagem financeira decorre de encargos financeiros fixos. Em um modelo simplificado sem dividendos preferenciais, GAF = EBIT/(EBIT − juros), em que EBIT é o lucro antes dos juros e tributos sobre o lucro. Se o EBIT for R$ 40 mil e os juros R$ 10 mil, GAF ≈ 1,33. As duas alavancagens têm causas distintas e ampliam também os efeitos de quedas. Perto do lucro zero, as razões se tornam muito sensíveis; com denominador zero, não são calculáveis.
Risco na decisão
Prêmio adicional arbitrário pode contar risco duas vezes se fluxos já forem ajustados. Escolha entre ajustar fluxo, cenários ou taxa de modo coerente. Liquidez, crédito, mercado, operação e país possuem mecanismos distintos.
Custo de capital é custo de oportunidade dos financiadores, não média de juros históricos. Ele conecta risco do investimento ao retorno mínimo necessário para preservar valor.